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Tudo começara numa tarde serena. Mais outra tarde de leitura de um jornal banal recheado de notícias banais que eu já tinha lido em inúmeros outros jornais. Estava sentado no habitual banco plantado à sombra de uma árvore de braços longos. A relva estava como sempre a tinha conhecido, por cortar, e, de vez em quando, pequenos pássaros pousavam no banco onde me sentava. Desviei o olhar do jornal para apreciar a beleza durante momentos e, pelo canto do olho vi uma figura inacreditável. Cor de tijolo e riscado de preto, patas grossas e olhar felino. Tinha visto suficientes documentários para saber que se tratava de um tigre.

Duas... Três... Quatro... Cinco…
- Doutor Stuart, a Senhora Dolores da Madeira chegou. Mando-a entrar?
- Sim, Helena. Já agora, cancela os meus compromissos para logo à noite.
- Como queira, Doutor.

Minha pátria amada. País amado! 

Que em tempos foste tão forte e grandioso.
Reconhecido pelos quatro cantos do Mundo,
foste pioneiro em descobertas inimagináveis.
Dominaste meio mundo e eras temido
E respeitado por todas as Nações…
Eras nacionalista, sabias definir- te.
… Sabias o valor dessa palavra.
Não te subjugavas, não te vendias e
não toleravas desrespeitos para com o teu povo.
Hoje mal consegues fazer- te respeitar.
Entregue aos abutres que te vão
Saqueando , enquanto assistes
Impávido e sereno, sentado no sofá,
Às pilhagens a que estás sujeito.
Temo que te mantenhas adormecido
Demasiado tempo.
Temo que não acordes a tempo…
O que te aconteceu?! Já não sabes quem és?!
Porque aceitas ser maltratado?
Porque aceitas abdicar… assim…
De mão beijada de tudo pelo que
Lutámos há quase mil anos atrás…
… do que tanto te custou a ganhar?!
Tanto sangue que derramámos por ti,
Para que hoje possas chamar a esta
Terra, NOSSA!
Não compreendo…
1143 foi o ano do teu nascimento.
Nessa altura, os países que hoje
se acham os donos do mundo
nem sonhavam existir.
Porque te subjugas às suas vontades?
Porque aceitas a ignorância?
Porque aceitas assim tão cegamente
E constantemente tentas “normalizar”
os maus tratos a que diariamente és sujeito?
Por dinheiro?!
Por política?!
Por interesses pessoais?!
Porque é que tens tão pouco
e ainda assim continuas com medo?
Porque ficas a ver televisão,
sentado no teu sofá, enquanto assistes
à tua pátria a desmoronar-se?
Até quando vais ficar parado?!
Até quando vais aceitar que te cuspam na cara?!
Até quando vais aceitar as mentiras
que te querem vender ?
Acorda Portugal!
É preciso julgar e condenar os culpados!
É preciso mudar!

 

Limpa Palavras

Limpo palavras.
Acaricio-as à noite,
a palavra cama, a palavra livro.
Limpo-as de dia,
a palavra casaco, a palavra cão.
A palavra porta fecha as
coisas que não gosto.

A palavra banana é amarela como o Sol.
A palavra bola é redonda como a lua.
A palavra tristeza magoa o meu coração.

No fim de tudo crescem e vão-se embora.
Sem nada que eu possa fazer.

A palavra escuridão
Ilumina-me para a verdade,
as outras não.
A palavra sofá faz com que eu descanse,
as outras não.

Limpo palavras.
Acaricio-as à noite,
a palavra oceano, a palavra amor.
Limpo-as de dia,
a palavra coração, a palavra alegria.
A palavra memória faz-me recordar…

José Tiago

Como a esmeralda verde tingida de esperanças, como a verdade azul da safira do teu olhar, entre o céu e a terra há o meu pai. Pai pleno de humanismo que inspira toda a minha vida. Por onde estou, aonde vou, as tuas palavras sabedoras, as tuas ações grandiosas são rimas de amor, são leito de estrelas cintilantes e sol ardente.

Pai é paleta de cores, conselheiro, inteligente, honesto, trabalhador, força impar a tangir nas fronteiras da família.

Pai são brilhos de alegria explodindo, neste gélido dia 23 de janeiro de 2015.

Pai são murmúrios de coragem e verdade a vibrarem na nobreza do teu coração.

Pai são bagos de ternura, aroma mágico capaz de eternizar e de envolver, harmonicamente, e com nascentes de esperança os empenhados, dinâmicos, conscientes, criativos, sensíveis, bonitos e alegres netos, Eduardo, Carolina, Francisco e João.

Pai é ainda uma ilha de areias finas, mar calmo e brisa suave ao chamar pela Fernandinha e pelo Jorge.

Pai é também noite de luar cheio e prateado ao abraçar a singular e afetuosa Clotilde.

Pai é um cântico de flores alegres que faz da sua irmã Lourdes um receptáculo de musselines e um hino à família.

Num mundo marcado por tantos atos repudiáveis, imune ao tempo, o meu Pai reconstrói também o quotidiano com o abraço amigo e sincero da requintada e elegante Manuela e com a afetuosidade do sincero e tranquilo Carlos Alberto.

Pai é grandeza de viver, num barco encantado de mim e da nossa família e, do que por ele sinto.

O meu Pai será sempre o meu “Barco” branco, o meu céu azul, o meu mar de prata.

Com o brilho deslumbrante dos diamantes e o amor eterno que te tenho, digo-te:

Adoro-te.

Um beijo da filha

Fernanda Tiago

 

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