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O sucesso do combate ao Covid-19 passa, em grande parte, pela adoção de estratégias de distanciamento social e isolamento preventivo ou de quarentena de uma parte significativa da população. Implementar esta estratégia pressupõe, entre outras, a adoção de soluções de teletrabalho, o recurso ao comércio eletrónico, ao ensino à distância, a comunicação e interação social através de meios digitais (redes sociais, videochamadas, ...) e, em geral, uma maior utilização de serviços digitais. 

Assim, acredito que a pandemia trabalha como um fator de aceleração da transformação digital. Um exemplo concreto é o crescimento do teletrabalho. A pandemia Covid-19, em tempo de emergência sanitária, teve uma consequência imediata: o crescimento do trabalho à distância ou teletrabalho por via de diversas redes de comunicação online. A pandemia acabou por acelerar a transformação digital e essa possibilidade tornou possível não apenas a continuidade dos serviços online, mas, também, a conciliação com as obrigações familiares, num momento tão difícil.  

Deste modo, também houve um crescimento do ensino à distância. O vírus teve um impacto no sistema de ensino. Contudo, a reação das escolas foi muito positiva e todos os alunos com acesso à internet estão a ter aulas. 

Por outro lado, o crescimento do comercio online também se deu. A pandemia teve um impacto significativo no crescimento do comércio online em consequência da aplicação estrita do estado de emergência. Mas estamos apenas na fase inicial deste movimento de virtualização. Hoje, nos supermercados, o cliente já pode fazer o registo das suas compras em máquinas automáticas. Amanhã, passara a fazer uma parte das compras online à distância. Estamos perante um movimento de longo alcance, que as gerações mais novas adotarão, à medida que a sociedade digital for criando as suas rotinas, mas que interessa também às grandes superfícies, pois permite-lhes desmaterializar e reduzir substancialmente alguns custos fixos. 

No final, e à semelhança do que aconteceu no século XX com a formação das escolas industriais e comerciais, eu atrevia-me a sugerir para o século XXI, em cada comunidade intermunicipal e nas grandes cidades, a criação de uma “escola de tecnologias, artes, cultura” no ensino secundário, de modo a que fique salvaguardado o equilíbrio desejável entre tecnologia e humanidade. 

Concluindo, penso que a pandemia desenrolou a aceleração digital e a digitalização dos cidadãos parecem inevitáveis, apenas temos de evitar os seus defeitos indesejáveis. 

 

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