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Depois de Seul, Los Angelas e Sidney, foi a vez do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança, ser o anfitrião das 4000 figuras que constituem a exposição de Zadok Ben-David, “People I saw but never met”, dispostas pelos dois pisos ocupados pela mostra, que esteve patente ao público entre 19 de junho e 20 de outubro, integrada na segunda edição do evento “Terra(s) de Sefarad - Encontros de culturas Judaico-Sefardita”, que decorreu em Bragança entre os dias 19 e 23 de Julho, depois do sucesso da primeira, em 2017.

O percurso do visitante é marcado pelo crescente espanto e  pela curiosidade que o conduzem num silêncio expectante ao longo da galeria inicial e o faz subir lentamente as escadas de acesso à sala superior, onde sustem a respiração antes de deleitar o olhar e observar as imensas figuras que a habitam. Os sucessivos movimentos de aproximação e distanciamento, realizados ao longo do percurso na tentativa de captar o todo e os pormenores, interrompem-se nesta sala, que enche um olhar que se descobre insuficiente para abarcar tudo quanto deseja. E apetece avançar, ser mais uma daquelas figuras, sobretudo as que mais captam o interesse e simpatia.

Esta é a sala onde se encontra o mundo humano que Zadok, desenhador e escultor nascido no Iémen em 1949, mas emigrado em Londres desde essa altura, encontrou, fotografou e quis imortalizar, capturando instantes da sua vida, ainda que nunca tivesse conhecido nenhuma das pessoas que viu e replicou em silhuetas de alumínio e inox. Meticulosamente colocadas, ilustram a diversidade humana, nas diferentes idades, etnias, nacionalidades, interesses, religiões e ocupações, vivendo em harmonia num mesmo local, ainda que não pareçam comunicar entre si. Cada uma encerra um mundo e é esse que cada visitante é convidado a descobrir. É fora dele que estamos, comungando do olhar do artista, vendo cada um na mesma perspetiva e fazendo um esforço para os individualizar, já que a integração num mesmo espaço faz com que as linhas que os definem se unam, pareçam intercetar-se com outros maiores (as maiores silhetas apresentam uma dimensão de 5 metros), mais pequenos, ínfimos que os rodeiam. A profusão de linhas e as novas formas que elas recriam, bem como a minúcia das expressões faciais, dos objetos que transportam e com os quais interagem justificam o enorme interesse que a exposição provoca.

Ninguém sai indiferente, ninguém quer ver as imagens antes de observar a realidade. As múltiplas fotos que cada um capta servem para recordar, para pormenorizar pela possiblidade que existe de as ampliar e finalmente conseguir observar cada uma com a atenção que ela merece.

 

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