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É largamente reconhecido por todos que a liberdade de expressão e de opinião constitui um direito universal: Todavia, não deve haver um abuso que ponha em causa a prerrogativa de liberdade do outro.


Assim sendo, a liberdade é um direito fundamental de qualquer sociedade democrática do seculo XXI e acompanhou o progresso científico-tecnológico, pois apenas a condição de agir livremente pode tornar reais a rede global de comunicação, os aparelhos electrónicos, a medicina moderna e a aviação, entre outros domínios. Contudo, este poder de agir sem impedimento acarretou consigo desvantagens. O uso abusivo da liberdade põe em causa a liberdade dos outros, visto que ao atacar verbalmente conceitos, crenças e pessoas colocam-se em causa os valores dos outros e isso não é ético.
Por conseguinte a rede global sendo um meio difusor de informação é o resultado da capacidade humana sem limitações. Porém, isto passou a ser também veiculador de mensagens negativas e com valor pejorativo e, desse modo, o homem no seu defeito passou a usar algo tão importante a nível mundial para transmitir mensagens que atacam as outras pessoas, direta ou indiretamente. Um exemplo que evidencia esta realidade são os blogsters e utilizadores de redes socais que usam este meio gratuito para exporem o seu ponto de vista de um modo pessoal, incorrendo muitas vezes numa falácia filosófica da argumentação informal, ad hominem, pois atacam-se pessoas não pelo que acreditam ou pelo que dizem mas por serem quem são. O cyberbullying é uma das condições dos dias de hoje, que alberga todas as características acima mencionadas.
Todavia, a liberdade de opinião e de expressão não só é a condição de expor as nossas crenças e as nossas motivações, mas também é a condição que nos permite refutar as crenças mas que por vezes transborda os limites da moralidade e toma contornos exacerbados. Desse modo, atacar, por exemplo, uma religião por palavras e imagens é algo que deve ser levado a efeito com moderação e cautela, para não se incorrer no ataque às crenças das pessoas, que podem ferir suscetibilidades, tocando em temas de grande sensibilidade, porque implicam valores como a fé e as crenças pessoais. Assim sendo, em janeiro de 2015 os ataques terroristas em França tiveram início com imagens provocantes criticando ferozmente a religião muçulmana. Portanto, quando se critica seja o que for devem der considerados outros factores. Neste caso, a crítica não devia ter sido tão exaltada, pois o fanatismo religioso que toma o que está escrito no Corão de forma radical, viu a revista Charlie Hebdo como um perigo para a sua religião e decidiu agir de forma radical, matando pessoas que apenas usaram o direito de se expressar.
Pelo exposto, reiteramos que a liberdade de expressão e opinião não é ilimitada nem absoluta, devendo ser restringida e regulada, já que a sua prática abusiva acarreta problemas éticos, morais e sociais.

 

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